Farinha de mandioca + feijão + técnica. Isso é tudo que você precisa pra mudar sua vida na cozinha. Gastei muito tempo não entendendo o virado de feijão. Sempre achei que era algo pesado, daqueles que você come em bar. Até que um dia quis fazer algo leve, simples. Fui no básico que sempre fizemos e acrescentei aquilo que aprendi nos cursos de culinária brasileira.
A farinha de mandioca deve entrar no ponto certo, sem ficar com caroço. Vi que funcionou e ficou muito bom. Você deve ter o feijão bem cozido e a farinha vai entrar aos poucos na mistura. O importante é ir mexendo pra que não forme caroços. Essa é uma das receitas mais gostosas que você vai aprender.
Receita de Virado de Feijão: Saiba Como Fazer
Referência de Medida: Xícara de 240ml
Ingredientes
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Compra tudo no mercado. Paguei 28 reais aqui em SP. Com carne seca e toucinho. Pode fazer sem tempero caseiro. Mas não pule a carne seca e o toucinho.
Modo de preparo
Cozinhando o feijão:
Coloque o feijão na panela de pressão com as folhas de louro e água. Ferva por 2 minutos com a panela aberta. Sim, aberta. Depois desse processo ele começa a cozinhar.
Após esses 2 minutos coloque a tampa e deixe cozinhar por 18 minutos em fogo médio após pegar pressão. Desligue e espere a pressão sair sozinha.
Refogando:
Em uma panela alta coloque o azeite. Adicione o toucinho em cubos e doure bem até soltar bastante óleo.
Depois adicione a carne seca em pedaços menores. Mexa por 2 minutos.
Coloque o tempero e refogue por 30 segundos.
Adicione o feijão:
Escorra metade do feijão cozido e guarde o caldo. Coloque os grãos na panela que está com o toucinho e a carne seca.
Mexa e deixe cozinhar por 5 minutos em fogo baixo.
Corrija o sal (lembrando que a carne seca já vem salgada).
A medida que a farinha de mandioca vai sendo adicionada, vá mexendo até começar a desgrudar da panela.
Já fiz esse virado sem carne seca, achando que ia dar certo. Ficou bonito, mas não falou nada. Aí lembrei: isso aqui não é feijão com farinha. É história na panela. E a Daiane, que não gosta de carnes secas, provou e só disse: “Agora entendi por que o seu pai fazia assim.”
Se você tentou e achou que faltou algo, provavelmente foi isso: o tempo. O tempo de ferver aberto, o tempo de refogar devagar, o tempo de descansar depois. Não é receita de pressa. É receita de paz. Me conta nos comentários: qual foi o primeiro prato da sua infância que você só entendeu quando fez sozinho?
A receita faz bastante quantidade. Continua deliciosa no dia seguinte. Armazene em recipientes bem fechados na geladeira por cerca de 3 dias. Se congelar, aguenta até 2 meses. Eu costumo dividir em porções e levar ao congelador. Na hora de comer, esquente e coloque um pouco de água se ficar muito ressecado, já que a farinha absorve bastante o líquido.
Falta algum ingrediente?
Sem problema:
Feijão: Pode ser feijão preto ou lentilha no lugar.
Farinha de mandioca: Farinha de milho funciona bem, ou até farelo de pão.
Tempero caseiro: Misture alho em pó, cebola em pó, pimenta do reino e um pouco de salsinha.
3 erros que você precisa evitar ao fazer o Virado
Jogar toda a farinha de uma vez.
Salgar demais antes de adicionar a farinha.
Dica da internet:
Depois que você refoga o tempero, joga 1 colher de sopa de bacon picadinho ou toucinho na panela. Fica uma delícia. Minha mulher reclama porque acaba que nada sobra pra ela comer.
Acompanhamentos:
Arroz, carne (bisteca) e couve. Pode colocar ovo, banana à milanesa ou até uma gelada.
Gostosa ou não: Coloquei calabresa e manjericão, ficou muito bom. Fiz também colocando abóbora, fica um doce.
Sobra do Virado: Dá pra rechear pastéis. Fazer torta no pão de forma (bota uma camada de virado e queijo e leva ao forno) ou fazer bolinhos.
Dicas da farinha de mandioca:
Coloca até que o feijão comece a desgrudar da panela, mas mantendo aquela umidade. Se exagerar na farinha, joga um pouco da água do feijão que você separou.
Algumas dúvidas que sempre me fazem:
Posso fazer sem panela de pressão?
Sim. Só que vai demorar mais tempo.
Por que escorrer metade do feijão?
Pra controlar o ponto da farinha. Você pode colocar o resto depois.
Posso usar feijão de lata?
Sim. Mas fica com outro sabor.
Onde surgiu essa maravilha?
O virado paulista tem origem no período colonial ligado à alimentação dos viajantes e trabalhadores. A farinha entrava para deixar o feijão mais grosso.
Hoje é considerado patrimônio cultural do estado de São Paulo. Acho que deveria ser patrimônio da humanidade.
Combina com o quê?
Bisteca, couve, torresmo e um bom arroz. Experimente colocar:
Picles
Molho de pimenta
Queijo coalho
Continuando nossa jornada feijocentrista...
Depois de aprender a fazer aquele virado de feijão que é pura nostalgia de almoço de domingo, que tal explorar outros caminhos do universo feijão? Confesso que até uns anos atrás achava que fazer feijão bem temperado era coisa de mestre cuca, até descobrir que é mais simples que fazer miojo (e infinitamente mais digno).
E já que estamos nessa, se tem uma dupla que nunca me abandonou nos dias de preguiça criativa é o clássico arroz com feijão, básico? Talvez. Perfeito? Sem dúvida. Mas o feijão preto merece menção honrosa, né? Aquele feijão preto bem feito transforma qualquer refeição em banquete, e olha que nem sou dramático.
Ah, e pra quem quer dar uma variada: já experimentou o feijão azuki? Ou o feijão de corda que é praticamente um primo distante e saboroso do nosso feijão de todo dia? Difícil é escolher qual fazer primeiro!
Combinações que vão deixar seu virado de feijão ainda mais especial
Depois de preparar aquele virado de feijão que já é pura nostalgia, que tal montar uma refeição completa? Selecionamos opções que casam perfeitamente, desde entradinhas até a sobremesa. Aqui em casa, a Daia sempre pede para repetirmos essa combinação nos dias frios!
Suco de laranja natural: Clássico que nunca erra, ainda mais se for daquela laranja do pé.
Chá mate gelado: Nosso preferido para refeições robustas, faça bem forte e adoce a gosto.
Água aromatizada com limão e hortelã: Opção refrescante e leve para quem quer hidratar sem muitas calorias.
E aí, qual combinação mais te animou? Aqui em casa já testamos todas (algumas várias vezes!) e garantimos que são sucesso. Conta pra gente nos comentários se experimentou alguma, e não esquece de avisar se inventou alguma variação criativa!
Última modificação em Segunda, 26 Outubro 2026 21:30
Rafael Gonçalves é um cozinheiro de mão cheia. Fã incondicional de receitas caseiras, testadas na prática e cheias de história.
Tem anos transformando a cozinha de casa em laboratório de sabores.
Estuda técnicas de churrasco, confeitaria, cozinha brasileira, italiana, francesa e outras para criar receitas simples, confiáveis e bem explicadas. No Sabor na Mesa ele compartilha pratos que realmente prepara em casa: testados e adaptados para o dia a dia das famílias brasileiras.
Casado com Daiane há mais de uma década, Rafael sempre acreditou que cozinhar é uma maneira de juntar pessoas, comemorar momentos especiais e criar memórias em volta da mesa. Suas receitas buscam combinar experiência prática, pesquisa culinária e uma linguagem clara e objetiva com o propósito de levar o maior número de pessoas a cozinhar melhor em casa.
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