Essa receita nasceu de um equívoco saboroso. Eu comprei carimã achando que era outra coisa, e aquela massa fermentada ficou me encarando da geladeira por dias. Resolvi o problema transformando-a num bolo, e o resultado foi um sabor que eu simplesmente não sabia que existia.
O bolo de carimã, ou bolo de massa puba, é uma dessas joias da culinária nordestina que todo mundo devia experimentar pelo menos uma vez. A textura úmida e levemente ácida da mandioca fermentada é algo único, sabe? Aprendi a valorizar esses ingredientes de raiz em um curso sobre culinária brasileira regional, e desde então virou missão pessoal testar receitas assim. O segredo aqui é não estranhar a massa bem líquida, ela assa e fica com uma umidade incrível.
Se você, como eu, adora descobrir sabores que são praticamente uma viagem gastronômica, essa receita abaixo é sua passagem. É simples, diferente e tem gosto de história. Bora fazer essa experiência juntos?
Tabela de conteúdo:
Receita de bolo carimã: Saiba como fazer
Ingredientes
A carimã é aquela massa de mandioca fermentada, vendida normalmente em saquinhos na feira ou em mercados que têm produtos regionais. Se você nunca viu, a aparência é meio grudenta e tem um cheirinho ácido característico, mas fica incrível no bolo. Não desista na primeira impressão, prometo.
Informação Nutricional
Porção: 150g (1/8 do bolo)
| Nutriente | Por Porção | % VD* |
|---|---|---|
| Calorias | 285 kcal | 14% |
| Carboidratos Totais | 38.5g | 13% |
| Açúcares | 25.8g | 52% |
| Fibra Dietética | 2.1g | 8% |
| Proteínas | 6.8g | 14% |
| Gorduras Totais | 12.3g | 16% |
| Saturadas | 7.2g | 36% |
| Trans | 0.2g | ** |
| Colesterol | 85mg | 28% |
| Sódio | 180mg | 8% |
| Cálcio | 145mg | 15% |
| Ferro | 1.2mg | 7% |
*% Valores Diários baseados em uma dieta de 2.000 kcal (FDA)
**VD não estabelecido
Etiquetas Dietéticas
Alertas & Alérgenos
Fonte: Calculado manualmente via Tabela TACO Unicamp; valores aproximados – não substitui consulta profissional.
Modo de preparo
- Preaqueça e prepare: Primeiro, ligue o forno em 200°C. Enquanto isso, unte uma forma de sua preferência (eu usei uma de furo) com um fio de manteiga e polvilhe farinha de trigo. Joga um pouco e balança a forma até cobrir tudo. Isso evita aquele desespero na hora de desenformar, confia.
- Bata os líquidos: No liquidificador, coloque os 300 ml de leite, o leite condensado, os 3 ovos, as 4 colheres de açúcar, a pitada de sal e as 2 colheres de manteiga. Bata por uns 2 minutos só para ficar tudo bem misturado, sabe, sem gruminhos.
- Incorpore a carimã: Agora vem a parte principal. Com o liquidificador ainda ligado, na velocidade mais baixa, você vai adicionando as 3 xícaras de carimã aos poucos. Pode ser uma concha de cada vez. A massa vai ficar bem líquida mesmo, tipo uma vitamina mais grossa. É isso que dá a umidade depois de assado, então não pense que errou, tá certo assim.
- Forme e asse: Despeje essa massa líquida na forma que você preparou. Leve ao forno preaquecido e deixe assar por cerca de 1 hora. O tempo pode variar um pouco, então depois dos 50 minutos já fica de olho. Faça o teste do palito: espete no centro do bolo, se sair limpo, tá perfeito.
- Deixe esfriar: Tira do forno e deixa aquele cheiro maravilhoso se espalhar pela cozinha. Aguarda esfriar completamente na forma antes de tentar tirar. Eu sei que dá vontade de cortar na hora, mas se for quente pode desmanchar um pouco. Vale a pena a espera.
Uma vez a Daiane resolveu adicionar coco ralado por cima antes de levar ao forno, e ficou um acabamento crocante que combinou demais. Se você gosta, é uma ideia fácil e rápida.
É isso, um bolo que é praticamente uma descoberta. A textura fica úmida, densa, mas não pesada, com um sabor que é difícil de explicar – tem um toque levemente adocicado e aquele fundo terroso da mandioca fermentada. Diferente de tudo que você já comeu, pra ser sincero.
Conta pra mim nos comentários se você já conhecia a carimã, ou se foi a primeira vez como foi a minha. E se arriscou fazer, me fala o que achou! Essas receitas de raiz são um patrimônio, e é legal a gente trocar ideia sobre elas.
Quanto tempo dura esse bolo? Dica bônus: como congelar sem perder o sabor
Esse bolo carimã fica incrível por até 3 dias em temperatura ambiente (se conseguir resistir sem comer tudo antes). Na geladeira, dura uma semana fácil. Agora o pulo do gato: você pode congelar fatias individuais por até 2 meses! Eu embrulho cada pedaço em filme plástico e depois coloco num pote fechado. Quando a Larissa (minha sobrinha) vem visitar, é só descongelar e ela acha que fiz na hora. Golpe baixo? Talvez. Funciona? Sempre!
Calorias? Vamos lá...
Uma fatia generosa de 150g tem cerca de 285 calorias (confira a tabela nutricional completa para todos os detalhes). Mas sério, quem conta calorias de bolo caseiro? A Daiane até tentou uma vez fazer versão light, mas no final concordamos: melhor comer a original com moderação (ou não, ninguém julga aqui).
Sem carimã? Sem problemas!
Se não achou carimã (que é basicamente nossa querida farinha de mandioca), pode substituir por:
- Farinha de trigo comum (fica menos úmido)
- Mistura de polvilho doce e azedo (50/50)
- Farinha de arroz + 1 colher de chia (pra dar liga)
3 erros que quase todo mundo comete (eu incluso)
1. Bater demais a massa - Quando colocar o carimã, bata só até incorporar. Se exagerar, o bolo pode ficar "emborrachado".
2. Assar em forma pequena - Essa massa cresce! Use forma de pelo menos 22cm.
3. Tirar do forno antes da hora - Esse bolo engana! Parece pronto por fora mas pode estar cru por dentro. Faça sempre o teste do palito.
Hack secreto da vovó (que ela não sabe que eu sei)
Antes de untar a forma, passe uma fina camada de mel ou açúcar mascavo. Quando assar, forma uma casquinha caramelizada que é de outro mundo. A Daiane descobriu quando eu esqueci de limpar a forma depois de fazer banoffee... melhor "acidente" culinário da história!
Para todo mundo comer feliz
Sem lactose: Troque o leite por vegetal e use leite condensado de coco
Vegano: Substitua os ovos por 3 colheres de chia hidratada e use manteiga vegetal
Low carb: Troque o açúcar por eritritol e use farinha de amêndoas no lugar do carimã (fica diferente, mas gostoso)
O que serve junto? Tudo!
Minhas combinações favoritas:
- Café preto forte (clássico que nunca falha)
- Sorvete de creme (quente + frio = perfeição)
- Calda de laranja (1/2 xícara de suco + 2 colheres de açúcar, leve ao fogo até engrossar)
O ponto crítico: quando parar de bater
Aqui mora o perigo! O segredo é parar assim que a massa ficar homogênea - não espere ficar "lisinha" como massa de bolo comum. Se bater demais, o glúten (mesmo sendo pouco) pode desenvolver e deixar o bolo pesado. Já errei isso na pressa de atender o interfone... resultado: bolo tijolo. Aprendizado doloroso.
Versão "surpresa-me"
Quer impressionar? Adicione:
- 50g de coco ralado + 1 colher de rum (só o aroma, prometo)
- Canela em pó e noz-moscada (1/2 colher de chá cada)
- Gotas de chocolate 70% (caem no fundo e criam uma camada surpresa)
Sobrou? Transforma!
Bolo velho é triste, mas:
- Corte em cubos, asse de novo e vira croutons doce para sorvete
- Regue com leite quente e vira uma espécie de "pudim de pobre"
- Triture e use como base para cheesecake (a Daiane me ensinou esse)
2 coisas que ninguém te conta sobre esse bolo
1. Ele fica MELHOR no dia seguinte - os sabores se integram e a textura fica mais úmida.
2. Funciona como base para torta salgada! Já usei uma versão sem açúcar como "crosta" para torta de frango - ficou tão bom que virou hit no almoço de domingo.
De onde veio essa maravilha?
O carimã (ou farinha de mandioca) é herança indígena, mas esse bolo específico parece ser uma adaptação nordestina das receitas portuguesas. Curiosidade: em algumas regiões chamam de "bolo de viúva" porque era o que as mulheres faziam quando os maridos viajavam - ingredientes simples e rendia bastante. Hoje em dia a gente faz por gosto, não por necessidade (ainda bem!).
Perguntas que sempre me fazem
Pode fazer na airfryer? Pode! 25min a 180° em forma pequena.
Por que meu bolo rachou? Forno muito quente ou bateu demais a massa.
Posso dobrar a receita? Pode, mas não triplique - o liquidificador não aguenta e você também não (brincadeira... ou não).
O que mais combina com esse sabor?
Experimente servir com:
- Queijo coalho grelhado (doce e salgado = amor verdadeiro)
- Geleia de pimenta (sério, confia)
- Café com leite condensado gelado (o famoso "geladinho")
Se tudo der errado...
Bolo cru no meio? Corta as partes assadas, faz camadas com creme de leite e vira "torta" (ninguém vai saber do desastre original).
Massa muito líquida? Adiciona mais carimã aos poucos até dar ponto.
Queimou embaixo? Lixa com ralador (sim, eu fiz isso) e disfarça com calda.
Moral da história: na cozinha, quase tudo tem conserto - menos meu primeiro bolo que parecia uma pedra. Aquele foi para o lixo mesmo.
Confissões de quem já errou muito
Uma vez esqueci o sal... parecia doce de tão enjoativo. Outra vez usei leite azedo sem querer (resultado: bolo ácido digno de roteiro de terror). Mas o pior foi quando confundi açúcar com sal - a Daiane ainda brinca que foi minha tentativa de "bolo de lágrimas". Moral da história: sempre prove os ingredientes antes!
Sabia que...
O carimã era chamado de "farinha de guerra" no período colonial porque não estragava fácil e alimentava tropas. Hoje alimenta nossa vontade de comer bolo a qualquer hora! E tem mais: a textura úmida vem justamente da mandioca - ela retém líquido como nenhuma outra farinha. Natureza sábia, né?
Completa a experiência: cardápio que casa perfeitamente com seu bolo de carimã
Depois de preparar essa maravilha de bolo de carimã, que tal montar uma refeição completa que vai deixar todo mundo babando? A gente separou sugestões que combinam demais - e olha que aqui em casa testamos todas!
Para começar com o pé direito
Risolés fácil e simples: Crocantes por fora, cremosos por dentro. A Dai adora fazer esses para visitas porque sempre impressionam.
Salgados para festa: Variedade é tudo! Esses aqui salvam quando a gente recebe aquela turma toda de última hora.
Bolo salgado de frango: Diferente e prático. Fica ótimo com um cafezinho enquanto o almoço não fica pronto.
Pão de queijo mineiro: Clássico que nunca falha. Ainda mais quando sai quentinho do forno - cuidado pra não queimar a boca!
Prato principal que sustenta (e emociona)
Pernil de porco assado (aprenda aqui): Carninha desfiando que faz sucesso em qualquer ocasião. Combina demais com o doce do bolo depois.
Frango assado com alecrim: Simples mas cheio de sabor. Aquele cheirinho que invade a casa toda e chama todo mundo pra mesa.
Lasanha de berinjela: Para os dias que a gente quer algo mais leve mas sem perder o sabor. Dai faz uma versão que é nosso segredo de casal.
Acompanhamentos que roubam a cena
Salada de batata (aprenda como fazer): Clássica mas sempre bem-vinda. A gente briga por quem pega a última colherada.
Salada de batata com ovo (saiba o passo a passo): Versão turbinada da tradicional. Ovos dão um toque especial que faz toda diferença.
Abobrinha grelhada com alho: Leve e saborosa. Fica ótima para balancear a refeição antes da sobremesa.
Farofa de banana: Doce e crocante, já prepara o paladar para o bolo que vem depois!
Bebidas: Goles refrescantes para todos os sabores
Cappuccino caseiro (passo a passo no link): Acompanha perfeitamente o bolo no final. A gente adora tomar vendo o pôr do sol na varanda.
Suco de maracujá natural: Azedinho que corta a gordura dos pratos principais. Refrescante e sempre bem-vindo.
Chá mate gelado com limão: Para os dias mais quentes. A gente prepara uma jarra inteira porque acaba rápido!
E aí, qual combinação vai testar primeiro? Aqui em casa o pernil com salada de batata é campeão, mas tudo fica ainda melhor quando termina com esse bolo de carimã que você já deve estar com água na boca. Conta pra gente nos comentários se arriscou alguma dessas sugestões - e se sobrou espaço pra sobremesa!
Da tradição às adaptações modernas: outras formas de explorar o bolo de carimã
Nota de Transparência
As receitas e vídeos abaixo não foram criados por mim (Rafael Gonçalves). Eu avaliei, testei em casa e adaptei algumas delas e outras eu gostei da técnica e fui juntando aqui ao longo de anos. Apenas indico o que realmente funcionou. Crédito total aos criadores originais — links mantidos por respeito.
2º. Quando a preguiça é criativa
Autor: Dica do lar e culinária com Leane santos
Tem dia que a gente só quer o sabor sem o trabalho, e não tem nada de errado nisso. A grande vantagem de bater essa massa no liquidificador é que ela fica bem lisinha mesmo, sem grumos de farinha, o que é especialmente bom com a carimã. Só um aviso: a massa vai ficar bem líquida, quase como um mingau grosso. É isso mesmo, não se assusta. É o que garante a umidade depois de assado. Eu costumo untar a forma com manteiga e um pouquinho da farinha de carimã, só pra garantir que não gruda nada.
3º. O casamento clássico que nunca falha
Autor: Salgados Mania
Carimã e coco são como irmãos na culinária nordestina, um completa o outro. Usar o coco fresco ralado na hora faz uma diferença absurda, sério. O sabor é mais doce e úmido, e o aroma que fica na cozinha é outra coisa. A parte de fazer o leite de coco em casa pode parecer trabalhosa, mas é mais rápido do que a gente imagina. E o melhor: você fica com o coco ralado para a massa e o leitinho para acrescentar na liga. É aproveitamento total e o sabor, bem, fica inigualável.
4º. Para quem vive sem glúten
A beleza do bolo de carimã é que ele já é naturalmente sem glúten, então adaptar a receita é mais sobre ajustar os outros ingredientes para ficar ainda mais leve. Essa versão é ótima para apresentar o sabor para quem nunca experimentou, porque ela não tem aquele peso que algumas receitas sem glúten podem ter. A textura é bem próxima da original, o que é um triunfo. É um daqueles casos em que a restrição alimentar vira oportunidade de descobrir um prato que já era perfeito do jeito que é.
5º. A versão que abre o jogo para todos
Achar uma versão vegana bem feita de uma receita tão tradicional é como achar um tesouro. O que mais gosto aqui é que eles não tentam disfarçar o sabor do carimã, pelo contrário, o óleo de coco e o leite vegetal realçam essa acidez característica. Fica autêntico. A parte de explicar como conseguir o carimã fresco é valiosíssima, porque para muita gente fora do Nordeste isso é um mistério. É um passo a passo que ensina muito mais do que a receita, ensina a tradição. E isso é raro.
6º. Para um sabor mais suave e cremoso
Se o sabor intenso e ácido do carimã puro for um pouco forte para o seu paladar de primeira viagem, essa é a porta de entrada perfeita. O creme de leite e o leite em pó suavizam o conjunto, dando uma cremosidade e um sabor mais "familiar", digamos assim. É uma adaptação inteligente, quase uma receita ponte. Fica com uma cor mais clarinha também. Já servei para amigos que tinham receio e foi um sucesso total. Às vezes, é assim que a gente cria novos fãs para um ingrediente tradicional.
7º. Buscando a raiz da tradição
Essa é para quando você quer fazer do jeito que provavelmente era feito há décadas. Ingredientes medidos de forma caseira, poucas firulas, foco total no sabor. A manteiga com alta gordura faz diferença no resultado final, deixa o bolo com um sabor mais encorpado. É a receita que eu faria se quisesse impressionar alguém com a autenticidade do prato. Parece simples, mas cada passo tem seu motivo. Seguir à risca dá um bolo com aquele aspecto mais rústico e um sabor que realmente transporta a gente.
8º. O desafio (gostoso) de usar o ingrediente fresco
Usar a carimã fresca, aquela massa úmida e fermentada, é um nível diferente de comprometimento. O sabor é mais intenso, mais ácido e úmido. A textura do bolo também muda, fica mais densa e incrivelmente cremosa. É uma experiência mais próxima do que se come no Nordeste. Se você tem acesso ao ingrediente assim, vale muito a pena o experimento. Só vai precisar ajustar a quantidade dos líquidos da receita, porque a própria carimã já tem muita água. É um pouco de tentativa e erro, mas o erro aqui ainda é delicioso.
9º. A apresentação que é uma viagem no tempo
Assar na palha de bananeira não é só romantismo, muda tudo. O bolo cozinha no vapor que fica preso dentro da palha, ficando absurdamente úmido e pegando um sutil sabor vegetal, quase um chá. É a técnica tradicional e faz toda a diferença. Conseguir a palha pode ser o maior desafio, mas se achar, não hesite. A experiência de desembrulhar o pacote quentinho e sentir aquele aroma é uma das coisas mais gratificantes que uma cozinha pode oferecer. É mais do que uma receita, é um ritual.
E aí, qual dessas aventuras pelo sabor do Nordeste mais te chamou a atenção? Se você se aventurar em alguma, volta aqui para contar como foi a experiência, se acertou de primeira ou se descobriu alguma dica no caminho. Adoro ouvir essas histórias.
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