Abara: o segredo da culinária afro-baiana

Uma forma de acrescentar a culinária baiana no seu dia a dia
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Abara: o segredo da culinária afro-baiana
Rendimento
10 a 15 unidades
Preparação
1 hora
Dificuldade
Médio
Rafael Gonçalves Por
Cozinheiro do Sabor na Mesa, especializado em receitas caseiras testadas para o dia a dia.

O abará nao estala como o acarajé. Ele entra em cena em silêncio, com uma textura macia que derrete na boca e um sabor profundo de dendê, camarão seco e história. É um bolinho que carrega séculos de tradição afro-baiana, e merece ser feito com respeito, não com pressa. Já fiz errado, já deixei a massa soltar na folha... aprendi na prática que o segredo está no vapor constante e na dosagem certa do dendê.

Essa receitas de abará que você vai ver abaixo é a versão que finalmente me deixou orgulhoso. Use folha de bananeira bem limpa, recheio generoso e cozinhe até o aroma invadir a cozinha inteira. Minha mulher, que costuma evitar comida muito temperada, pediu bis. Se isso nao te anima, nao sei o que mais faz. Depois de testar, conta nos comentários como foi sua experiência, e se o cheiro lembrou Salvador!

Receita de Abará Temperado Simples e Fácil: Saiba Como Fazer

Ingredientes

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Para o abará:

Essa receita tem um custo médio de R$ 35-40 dependendo da região. O dendê de boa qualidade faz toda diferença - já comprei um mais barato uma vez e o sabor nem se compara. Aprendi do jeito difícil!

Progresso salvo automaticamente

Modo de preparo

Preparando as folhas:

  1. Primeiro, recorte as folhas de bananeira em pedaços de mais ou menos 10cm x 15cm. Não precisa ser milimétrico, viu? Só pra caber o recheio.
  2. Lava bem elas em água corrente, esfregando com as mãos pra tirar qualquer sujeira.
  3. Agora vem o passo importante: deixa as folhas de molho em água com cloro, uns 5 minutos de cada lado. Isso mata qualquer bichinho e garante segurança.
  4. Enxágua bem de novo e deixa escorrendo numa peneira. Eu costumo fazer isso primeiro pra folhas já estarem prontas quando precisar.

Preparando o recheio:

  1. Pega os camarões secos e com uma tesoura vai tirando os olhinhos de cada um. Pode parecer chato, mas faz diferença na textura final.
  2. No liquidificador, joga as cebolas, pimenta de cheiro, coentro, camarão reservado, amendoim, castanha e o leite de coco.
  3. Bate tudo até ficar bem misturado, mas não precisa virar uma pasta lisa não. Eu gosto quando fica com alguns pedacinhos ainda.

Misturando tudo:

  1. Numa vasilha grande, coloca a massa para abará e despeja a mistura do liquidificador.
  2. Mexe com cuidado até ficar homogêneo. Usa uma espátula ou colher de pau - fica mais fácil.
  3. Agora vem o dendê! Começa com 30ml, mistura bem e prova. Vai acrescentando aos poucos até chegar no ponto que você gosta. Eu geralmente paro em 40ml, mas tem dia que o humor pede mais.

Montando os abarás:

  1. Pega uma folha de bananeira e coloca uma colher generosa do recheio no meio.
  2. Enrola puxando as pontas inferiores na direção oposta, formando tipo um cone na base. Confesso que nas primeiras vezes saiu tudo torto, mas pega o jeito rápido.
  3. Dobra a parte inferior que já tá dobrada pra trás, assim o recheio não escapa. Mesma coisa com a parte superior.
  4. Se sobrar abertura e recheio escapando, fecha direitinho e tira o excesso. A Daiane sempre fala que eu coloco recheio demais - ela tem razão, mas é tão bom!

Cozinhando:

  1. Arruma todos os abarás numa cuscuzeira ou panela que faça vapor. Se não tiver, improvisa com uma peneira sobre uma panela com água.
  2. Leva ao fogo médio por 20 a 30 minutos. O cheiro que invade a cozinha é o melhor sinal de que tá no ponto.
  3. Tira um pra testar - se a massa não grudar nos dedos, tá pronto. E cuidado com o vapor, hein? Já me queimei uma vez por ansioso.
Dicas importantes abaixo

Informação Nutricional

Porção: 150g (1 unidade média)

CALORIAS285 kcal
PROTEINAS12.8g
GORDURAS11.4g
PescetarianoSem GlútenSem LactoseBoa Fonte de FibrasContém crustáceosContém castanhasSódio moderado

Fonte: Calculado manualmente via Tabela TACO Unicamp; valores aproximados – não substitui consulta profissional.

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Ver tabela nutricional completa
Nutriente Por Porção % VD*
Calorias 285 kcal 14%
Carboidratos Totais 32.5g 11%
   Fibra Dietética 3.2g 13%
   Açúcares 2.1g 4%
Proteínas 12.8g 26%
Gorduras Totais 11.4g 21%
   Saturadas 4.8g 22%
   Trans 0g 0%
Colesterol 45mg 15%
Sódio 680mg 28%
Potássio 320mg 7%
Cálcio 85mg 9%
Ferro 2.8mg 16%
Zinco 1.9mg 17%

*% Valores Diários baseados em uma dieta de 2.000 kcal (FDA)

Etiquetas Dietéticas
  • Pescetariano: Contém frutos do mar
  • Sem Glúten: Base de massa de feijão
  • Sem Lactose: Leite de coco não contém lactose
  • Boa Fonte de Fibras: Contribui para saúde intestinal
Alertas & Alérgenos
  • Contém crustáceos: Camarão seco - alérgeno importante
  • Contém castanhas: Castanha de caju e amendoim
  • Sódio moderado: Principalmente do camarão seco
  • Insight: Rico em proteínas vegetais e minerais; dendê fornece vitamina A natural

Essa receita de abará é daquelas que conecta a gente com histórias e sabores que vêm de longe. A primeira vez que fiz, fiquei nervoso - medo de não dar certo, de desrespeitar a tradição. Mas o resultado foi tão especial que virou frequente aqui em casa. A Daiane, que normalmente é mais pé no chão com temperos, se rendeu completamente. Diz que lembra as comidas de rua de Salvador que a avó dela comprava.

E você, já experimentou abará? Tem alguma dica diferente pra dar ou lembrança que essa receita te traz? Conta aqui nos comentários como foi sua experiência - adoro trocar ideias sobre essas receitas que carregam tanta história!

Dicas essenciais da receita

Quanto tempo dura e como guardar seu abará?

Essa belezinha dura até 3 dias na geladeira, mas eu recomendo comer no mesmo dia - o cheiro de dendê fresco é outra coisa! Se quiser congelar, embrulhe cada unidade em filme plástico antes de por no freezer (dura 1 mês). Na hora de esquentar: vapor de novo por 10 minutinhos ou microondas em potinho fechado (mas perde um pouco a textura).

Modo economia sem perder o sabor

Se o orçamento tá curto, bora de adaptações: substitua metade do camarão seco por carne seca desfiada (fica surpreendentemente bom). Castanha de caju pode virar amendoim extra - e olha que eu já testei com semente de girassol torrada numa emergência (não julguem, deu certo!). Folha de bananeira difícil achar? Use papel manteiga umedecido em água com corante verde (só não conta pra vó).

Os 3 pecados capitais do abará

1. Folha mal lavada: aquele gosto de cloro estraga tudo. Enxague MUITO. 2. Massa muito líquida: se escorrer pelas folhas, adicione farinha de mandioca aos poucos. 3. Excesso de dendê: comece com 20ml e vá provando - esse óleo é poderoso! Já cometi todos esses erros numa tentativa de impressionar a Daiane... Spoiler: não deu certo.

Truque secreto das baianas

Passe um fio de dendê na folha antes de colocar a massa - além de evitar grudar, dá um sabor extra. Outra: bata os ingredientes do tempero com GELO no liquidificador pra não esquentar o camarão. E o pulo do gato? Deixe a massa descansar 15 minutos antes de enrolar - os sabores se casam melhor.

O que serve junto?

Clássico total: molho de pimenta caseiro e uma cerveja bem gelada. Mas experimente com vinho branco seco - a acidez corta a gordura do dendê. Pra brunch, abre o abará e coloca um ovo pochê em cima (sim, eu fiz isso num domingo preguiçoso e virou tradição).

Versões para todo mundo comer

Sem glúten: já é natural, show! Vegano: troca o camarão por shiitake desidratado e o leite de coco por versão caseira (receita no @sabornamesaoficial). Low carb: reduz a massa e aumenta o recheio de castanhas. Proteico: acrescenta 100g de frango desfiado ao tempero. Já testei todas e a vegana surpreendeu até meu cunhado carniceiro.

A arte de enrolar (sem surtar)

Esse passo parece missão impossível? Relaxa: 1) Coloque a folha na sua mão não dominante como uma concha 2) Use duas colheres de sopa pra por a massa 3) Feche como se fosse um pacotinho de presente, sem medo de apertar. Se vazar, é só colocar outra folha por fora. Na primeira vez, metade dos meus virou sopa de dendê - normal!

Abará maluco

Que tal uma versão doce? Substitua o tempero por: 50g de coco ralado, 2 colheres de açúcar mascavo e 1 pitada de canela. Enrola igual e serve com mel. Ou a versão "surf & turf": metade camarão, metade bacon. Juro por tudo, fiz numa festa e sumiu em 5 minutos!

Zero desperdício

As sobras das folhas? Seca e vira embrulho eco pra presentear. Massa que sobrou? Frita como bolinho ou vira farofa úmida. Caldo do cozimento vira base pra sopa ou arroz. Até os olhos do camarão (que você tirou, né?) podem virar caldo - só ferver com água e ervas.

Abará na airfryer?

Testei por você: funciona! Enrola em papel alumínio furado, pincela com dendê e 15 minutos a 180°C. Fica mais sequinho que o tradicional, mas em dias de pressa salva. Outra loucura que deu certo: abará de frigideira - faz como panqueca grossa e vira sanduíche!

História quentinha

Essa receita vem dos tempos dos escravos, que usavam as sobras dos senhores para criar pratos incríveis. O abará é irmão gêmeo do acarajé - a diferença? Um é frito, outro cozido. Conta-se que as baianas mais antigas diziam "abará é comida de santo", normalmente oferecido a Nanã. Dá até arrepio de pensar nessa tradição toda, né?

Perguntas que todo mundo faz

Pode congelar cru? Pode, mas cozido fica melhor. Folha de bananeira dá pra comer? Não, é só pra embrulho! Por que queimar as folhas? Tira o "leite" e deixa mais flexível. Sem dendê dá certo? Até dá, mas aí não é abará, é só um bolinho triste...

Som pra enrolar abará

Coloca um samba de roda, um pagode baiano ou - minha preferência secreta - podcast de comédia. O ritmo ajuda no embalo das folhas! Já tentei fazer no silêncio total e só deu vontade de pedir ifood.

Harmonização inusitada

Experimente com: 1) Fatia de manga verde - o azedinho contrasta. 2) Café coado na hora (sério, testem!). 3) Cerveja de gengibre pra quem não bebe álcool. Minha combinação favorita? Abará quentinho + chuva fina + rede na varanda. Perfeição!

Confissões de um abará fracassado

Já usei folha de alface por desespero (resultado: bagunça molhada). Uma vez esqueci o dendê (crime contra a humanidade). Teve a fase "vou fazer mini abarás" que virou farelo. Moral da história? Até os chefs erram - o importante é rir e tentar de novo!

Sabia que...

O nome "abará" vem do iorubá "àbàrà", que significa "alimento de fogo"? E que na África ele é feito com feijão-fradinho em vez de massa pronta? Outro fato: as baianas mais tradicionais dizem que abará feito com raiva não cresce - então cozinhe com alegria!

Abara: o lanche que pede uma refeição completa!

Depois de preparar esse quitute africano delicioso, que tal montar um menu completo? Selecionamos combinações que vão transformar seu lanche em uma festa gastronômica. A Dai já aprovou todas - e olha que ela é crítica!

Pratos principais que casam perfeitamente

Fritada Perfeita: Segredo Simples pra Surpreender

Fritada: Ovos batidos com legumes formam um prato leve que equilibra bem o lanche principal.

Bebidas para harmonizar

Suco de caju: Doce e levemente ácido, combina perfeitamente com a riqueza de sabores do abara.

Água de coco gelada: Refrescante e natural, ótima para equilibrar os sabores intensos.

Chá gelado de hibisco: Levemente adstringente, ajuda a limpar o paladar entre uma mordida e outra.

E aí, qual combinação você vai testar primeiro? Conta pra gente nos comentários se alguma dessas sugestões virou hit aí na sua casa como virou aqui na nossa!

Sobre o autor

Rafael Gonçalves

Rafael Gonçalves é um cozinheiro de mão cheia, apaixonado por receitas caseiras testadas na prática e cheias de memória afetiva.

Há anos transforma a cozinha de casa em laboratório de sabores, estudando técnicas de churrasco, confeitaria, cozinha brasileira, italiana e francesa para criar receitas simples, confiáveis e bem explicadas. No Sabor na Mesa, compartilha pratos que realmente prepara, testa e adapta para o dia a dia das famílias brasileiras.

Casado com Daiane há mais de 10 anos, Rafael acredita que cozinhar é uma forma de reunir pessoas, celebrar momentos e criar boas lembranças ao redor da mesa. Suas receitas unem experiência prática, pesquisa culinária e linguagem direta para ajudar qualquer pessoa a cozinhar melhor em casa.

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